O que me alimenta me destrói

















18/05/2008 18:27
Oh, bloguinho abandonado! Mammy voltou! Voltou sem inspiração alguma, sem desejo algum de escrever coisas novas. Deve ser essa fase colossal que se apoderou de mim há meses. Fazer o que, se um dia Deus te olha e diz "é hora de crescer, minha filha"? Eu to obedecendo Pai Celestial...
Num é fácil encontrar o fio da meada! Pegar o bonde andando e descarrilhando, tomar a direção e entrar nos eixos. Ainda fico zonza de pensar. Aliás, meu maior problema é pensar demais; se tá tudo ruim, penso demais, se tá tudo bem, penso demais. O bom é que ando agindo. Não demais, porque num é do meu feitio taurino e lento. Mas, to agindo, de leve, aos poucos, não a contento, devagar e quase sempre.
Amanhã entro em anos - eu disse ANOS! - novamente. Agora tem o número 1 fazendo companhia ao 3. Por pelo menos 365 dias, 3 e 1 andarão juntos na minha vida. E acho que amanhã vai ser dia chuvoso. Que eu me lembre, só tive um aniversário chuvoso e foi em 1992. Naquele dia dei pulos de alegria, porque não ia ter aula de educação física, pois a quadra da escola não era coberta. 1992 foi o melhor ano da minha vida, disparado. Pena que tenha ficado lá atrás... Mas, parece querer retornar à vezes, como na semana passada, quando fui fazer a ginástica laboral e coloquei uma camiseta de manga comprida que eu havia ganho de aniversário naquele ano. Ainda me gabei pra Gi e pra Soninha que aquela camiseta iria fazer 16 anos no dia 19 de maio, junto comigo. Boas lembranças!
É, no fim, tudo é lembrança não muito nítida, porque o tempo é ligeiro e a memória bem traiçoeira.
Pela 31ª vez: Feliz aniversário para mim!!!!
enviada por Heleníssima Figura



07/04/2008 23:39
In your heart I'll hide away...
Eu acho que pifei o chuveiro do quarto do hospital.

Lost inside
Eu sinto cansaço, tristeza, sentimento de quase perda, sentimento de que tudo ainda não está totalmente bem.

Everybody hurts...
São nos momentos ruins que a gente reconhece os amigos. Os de verdade.

Muitos temores nascem do cansaço...
E tenho tanto medo, que me sinto pequena demais, ínfima, desamparada. Minha fé vai pelo ralo, e quero acreditar piamente.


Spread your arms round my world...
Tem momentos que se percebe que se ama uma pessoa a ponto de imaginar que o que ela está passando deveria estar acontecendo conosco.

Só penso nela, quem é ela? O nome dela?
Dani, ainda bem que você está com a gente. Não me assusta mais, tá bom? Se for pra me fazer chorar, que seja de alegria, pra me fazer esquecer as coisas ruins que te aconteceram nesses últimos dias.
Eu te amo (já chorando, de novo).
enviada por Heleníssima Figura



29/12/2007 14:10
Pois é, Pensando... Família não se escolhe. Se eu tivesse que escolher, possivelmente teria escolhido só a minha mãe. Não que eu não goste dos outros membros da família, mas é que ela é a única que não me desaponta, é a única com quem posso conversar direito, ser ouvida e me fazer entender. Se eu sou emocionalmente dependente dela? Total, sei que isso pode me trazer sofrimento, mas quero aproveitar ao máximo, enquanto durar.
Nesse ano tive minha vida exposta num blog, fui transformada em inimiga por brigas banais. Inimiga da própria irmã? Por causa de uma senha no computador? Porque eu disse "chega" pras ofensas na hora das discussões? Tenho 30 anos, não 15 pra ficar aceitando botinada de cabeça baixa. E nisso tudo, eu, minha mãe e minha irmã mais velha viramos cachorros tentando retalhar A Cinderela Diferente. O pior foi ter que aguentar ameaça virtual de uma professorinha qualquer de Porto Ferreira e os palpites muy "sensatos" de uma problemática que mora lá no fim do mundo e que mal consegue dar jeito na própria cachola.
Desculpas? Diálogo? Não sou eu que tenho que estender a bandeira branca. Eu sempre estive aqui, eu sei que tenho capacidade prá conversar direito, mas quanto mais a gente abaixa, mais mostra a bunda. Já foi o tempo da abnegação. Não falo mais com meu pai como se eu falasse com algum superior. Pais não são nossos superiores, supervisores, déspotas das nossas vidas: são nossos condutores, nossa segurança, o alicerce da nossa auto-estima. Se meu pai não entende isso, não sou eu que vou gastar neurônio para fazê-lo enxergar. Cada um que ande com suas próprias pernas, que enxergue com seus próprios olhos, do jeito que lhe convier. Não é assim que me foi ensinado?
Por obra de caprichos, birras, infantilidades, pirraças, a família partiu. O Diferente fez a diferença. Pessoas que estavam de fora e que, sem nenhuma intenção, acabaram por entrar na tormenta, acabaram ofendidas, entristecidas, humilhadas em momentos de fragilidade. Por caprichos de quem fez a diferença.
Esse é um desabafo tardio. Não tentei arrebanhar simpatizantes a minha causa para mostrar força e razão. Somente quem está num contexto entende o que se passa nele. Só eu sei o que foram esses meus 30 anos, só eu sei a dor de descobrir outras pessoas nas pessoas que eu amo.
Vou viver vida diferente, próximo ano. Novas responsabilidades, novas atribuições, liberdades desconhecidas. Vou deixar esse desabafo nos arquivos do blog, passando, como todos os outros posts. Eu sou membro de uma nova família.
Que venha 2008, cheio de percalços, incertezas, coisas boas, descobertas!
Obrigada por mais um ano de amizade, Cleto! Um ótimo 2008 para você e para a família que você cultiva com tanta dedicação.
enviada por Heleníssima Figura



22/10/2007 23:23

Obsessões do início da semana...

Musical: Ride on Time - Black Box
Literária: Por um fio - Dráuzio Careca - Ops! - Varella
Consumo: Câmera digital de 8 Megapixels
"Admiração" virtual: Um certo rapaz que vi numa comunidade do orkut, que dizem, tem um olho verde e outro azul. Detalhe: já tem dona...
"Admiração" real: Esse espaço não comporta tanta admiração!! rsrs.
Comida: Empadinhas
Bebida: Frutess (iogurte + suco de uva)
Ação: Caminhar, caminhar e caminhar (vou ver se tenho coragem de fazer isso essa semana toda)
Meio de transporte: BMW (modesta!)
Mandar para a PQP: Um certo professor oriundo dos pampas; uma assombração que volta e meia dá as caras na biblioteca; um hobbit-gay; as "princesas" de plantão.
Obsessão Master: AUMENTO de salário! huahauhauahua... (essa deveria ser "Ilusão Master")
enviada por Heleníssima Figura



16/10/2007 21:06
Ai... num era assim que eu queria começar. Mas já foi, vai (como seu eu não tivesse a possibilidade de apagar tudo isso agora mesmo!). Tô constipada, fui pega pelo nariz, garganta, pescoço. Falta a menstruação, porque a TPM já tá instalada. Eu ando assim, sei lá, meio cabisbaixa, apesar de não aparentar. Eu não sei se os trinta anos fazem a gente sofrer algum tipo de mutação neuronial, emocional, nacional ou sensacional. Tem muita coisa que mudou na minha visão, tem muito jeito meu que sumiu e outro que apareceu. Tinha uma tristeza perene que fugiu de vez. Umas ânsias atenuadas, outras exacerbadas. Tem a certeza de que eu tenho uma vida depois dos 24 anos, porque eu não enxergava esse meu pedaço de existência depois dessa idade. E tem a aceitação de que tudo murcha, tudo passa, tudo morre. Que meu cachorro segue o curso inexorável da vida e que, cedo ou tarde, o "moleque" peludo mais lindo do mundo, já quase cego, quase surdo, totalmente coxo, vai dobrar o Cabo da Boa Esperança para chegar ao cerimonial de São Pedro e São Francisco. Que meus pais estão diminuindo de tamanho de tanto carregar o peso da vida nas costas. Que as minhas costas já não se adaptam mais ao contorno do sofá.
Ah... Tudo bem! Vou descambar nesse final de post. A Gi tá me chamando no msn, preciso de alegria!
(Quando eu menstruar, esse momento filosófico passa).

Ai... num era assim que eu queria terminar!
enviada por Heleníssima Figura



19/09/2007 23:33
Algumas frases colhidas dos meus amigos, com relação à minha pessoa...

“Minha mãe nasceu analfabeta, mas a Nê nasceu sabendo ler e escrever em 23 línguas. Ela é o futuro do país!”
(Luís Inácio Lula da Silva)

“Que catiguria!”
(Bebel)

“And the Oscar goes to... Nê!”
(Forest Whitaker)

"A Mary-chan ^^ (Nê) é fodástica!"
(Vanessa-chan^^)

"Com a Nê é só relaxar e gozar"
(Marta Suplicy)

"A Nê é um avião"
(Presidente da Anac)

“A Nê é fantástica!”
(Gi Frankini)

"Baranga Sarcástica"
(Vavá Caxeta)

“Nê? Si! Muy fuerte! Buena em las curvas...”
(Fernando Alonso)

"Nechten? YA!! Frouline!!"
(Schumacher)

“Que boca maravilhosa a Nê tem! Quase perco o Brad para ela...”
(Angelina Jolie)

"Nê? Oh, yes! With her I felt like a virgin again!!!"
(Madonna)

Nê?? Eu que fiz!!
(Maluf - Epa! Minha vai mãe ter que se explicar agora...)

“A Nê, ao contrário das outras, é a única mulher que trabalha em pé e descansa deitada!”
(Clodovil Hernandez)

"Ah, Maria!"
(Gisa Zutin)
enviada por Heleníssima Figura



25/08/2007 23:29



Os cabelos cor de piche espalhavam-se pelo balcão. Ela continuava inerte, um dos ouvidos colado ao balcão, o outro captando a música que tocava ao fundo. Cartola dizia "as rosas não falam" com uma tristeza de dar dó, ou nojo, conforme o humor dela. A melodia era chorosa, derramada, dando a exata impressão de como o Poeta se sentia na esperança desesperançada. Ela fechou os olhos e a cabeça girou deflagrando pensamentos tristes. Duas lágrimas saltaram-lhe dos olhos para o balcão, ela as lambeu e sentiu o sal do seu corpo. O nariz inundou-se no muco e mais outras lágrimas vieram a somar-se à umidade manifesta naquele rosto.
Não, ela não sentia amor. Ela não sentia a esperança desesperançada de Cartola. Ela sentia a tristeza da música, um vácuo, uma certeza de que nada seria como antes, mesmo que todos os povos resolvessem colar caquinhos e aparar arestas. No íntimo ela sabia das mudanças, certamente se acostumaria à elas, mas nunca iria se conformar.
Existem pessoas que constróem um mundinho particular, calcado em falsas ternuras e provocam cataclismas quando as coisas não querem mais correr conforme suas vontades. Formam-se tempestades sem um porquê no horizonte, e o vento desarmônico provoca um arrancar de árvores e desmantelamento de sentimentos. Ela ficava no meio da tormenta, angustiada, desesperada sem ter onde se agarrar. Se sentia muitas vezes como uma criança perdida, sem a mãe, sem comida, sem um tostão no bolso, olhando aquele céu negro. Foi assim que ela parou naquele balcão. Agarrou-se nele com tábua de salvação. Parou e debruçou-se, para tentar ouvir a voz que vinha de dentro. Os ouvidos captaram, um, o som da tristeza e o outro, a voz da alma, querendo se derramar como num alento para o corpo. As lágrimas continham o alívio da mente e um aviso: não demoraria para o sol voltar.
enviada por Heleníssima Figura



21/08/2007 22:55
Gabriel Garcia Marquez diz que os sintomas dos males de amor são muito semelhantes aos do cólera. Essa é uma frase do livro "O amor nos tempos do cólera", que estou tendo o prazer de ler. Ele se refere a Florindo Ariza, plus apaixonado por sua Fermina Dazza. Alguém me disse essa semana que estava com virose. Liguei o fato rapidinho ao enredo do livro, uma vez que Florindo vomitava e evacuava até não poder mais, até ficar verde. Insinuei que a pessoa sofria era por amor...
Lembrei das vezes em que me apaixonei. Meu intestino sempre soltava, as fezes ficavam massudas. Não eram caganeiras homéricas, mas eu pintava bem o vaso. Eu ficava boba de paixão, o que me provocava dores de barriga consideráveis que me levavam inevitavelmente ao toillete. Era legal porque eu acabava emagrecendo, não comia tanto. As fezes ficavam inchadas, e eu secava. Mas, era só paixão, não amor. Eram só pequenos desarranjos, nada de viroses, nem cólera.
Isso me faz lembrar que tenho menos de um mês para perder 4 quilos antes de me apresentar perante o Sr. Dr. Gastroenterologista. Acho que uma paixãozinha agora cairia bem, assim me livraria de um regime forçado ou de um programa de caminhadas no final da tarde. Mas tá tão difícil de eu me apaixonar! Até tento, mas no fim... tudo fica no fim, mesmo.

Prá fechar, lá vai um segredo: Gabo (Gabriel Garcia Marquez) nem desconfia, mas se eu o encontrasse, iria beijá-lo na boca! Em 2003 ele me fez dormir, após muitas noites em claro, e nem desconfia disso!! Sou muito grata a esse colombiano de quase 80 anos!! rsrsrsrs.
enviada por Heleníssima Figura



12/08/2007 23:45

Para Frankini, minha Amiga

A moça tem mil sorrisos na boca. Cada vez que sua fileira de dentes aparece é como o sol expandindo no horizonte. São mil dentes, mil sorrisos, mil sóis em galáxias perdidas nos recônditos do universo. Seus olhos são luas verdes, não azuis, porque não só existem luas azuis. Existem plenilúnios verdes, expansivos, que iluminam os cantos enegrecidos e tristes por onde ela passa. Seus olhos e dentes nunca eclipsaram. Há uma harmonia constante entre sol e lua nela.
Os cabelos ela tornou escuros para que as estrelas de seus pensamentos pipoquem. Pontos de luz iguais aos do céu, admiráveis a ponto de apequenar e de tornar tão distante toda a raça humana.
Há nela luz própria, como se um gerador a habitasse desde o dia em que ela nasceu. Ela caminha pelos corredores como estrela errante e os outros a orbitam, planetas e satélites fora de prumo, necessitando de luz extra-corpórea para sobreviver.
Ela é um sol, uma luz inabalável contagiando o ambiente, afugentando as trevas por vezes insistentes.
Estrela, que seu brilho perpetue. Sempre.

(Obrigada pelas sandices, pelos papos birutas, pelas piores teorias, pelas montagens fotográficas, pela bengala da sua avó - coitadinha! - pelo meu livro e, principalmente, por sempre me fazer rir na hora em que eu penso em chorar!)
enviada por Heleníssima Figura



03/08/2007 00:27

A verdadeira "Cinderela"

Levava uma vida sossegada
Gostava de sombra e água fresca
Meus Deus, quanto tempo
Eu passei sem saber?
Foi quando meu pai(?) me disse:
Filha,
Você é a ovelha negra da família
Agora é hora de você assumir
E sumir!
Baby, baby, não adianta chamar
Quando alguém está perdido
Procurando se encontrar
Baby, baby
Não vale a pena esperar
Tire isso da cabeça
E ponha o resto no lugar
(Ovelha negra - Rita Lee)

"O inferno são os outros" Jean-Paul Sartre
enviada por Heleníssima Figura



27/07/2007 00:02
Passei por ele na fila do caixa do supermercado. Sei que ele me notou e pareceu querer se esconder atrás do carrinho de compras, como se pudesse fazer sumir seu 1,80m de altura. O gesto foi estranho, impaciente. Eu sei que ele me reconheceu. Altivei a postura e passei por ele, cheirosa, metida e de brincos balançantes. Eu queria fazê-lo entender que eu o ignorei, não o reconheci. Mentira pura. Já estive cara-a-cara com ele, no mesmo supermercado, mas não quis crer que aquela pessoa era ele. Ou melhor, não consegui perceber que aquela pessoa, estragada por 10 anos de distância, pudesse ser alguém que eu já gostei.
Do fim da fila eu o espreitava, tentando ser o mais discreta possível. E se ele se virasse para trás e me pegasse medindo-o? Sei lá, azar o meu. Aproveitei para olhar bem a esposa dele. Mais baixa que eu, mais feia que eu, mais magra que eu. Tá o "mais magra" doeu, mas na foto da maldita internet ela parecia melhorzinha... E ele que me dizia gostar de morenas, estava justamente casado com uma loira! O que os homens não mentem quando nos tem nos braços? Mentiras bonitas entre beijos e a brisa leve da tarde.
Não senti batedeira no peito ao passar por ele, não senti saudade e não estou mentindo. Mas aquele reencontro (não bem um reencontro) me impressionou pelo fato de que 10 anos impactaram tanto a aparência dele. Os cabelos ruivos tornaram-se grisalhos e desgrenhados,as entradas pronunciaram-se na testa, o corpo, outrora musculoso e firme, transformou-se numa massa gordurosa. Os óculos e o olhar bovino eram os mesmos, mas aquele moço forte de 20 anos morreu e deu lugar a um velho de 30!
Pensei que poderia ser eu hoje dividindo um "ninho" com ele, que talvez, se tivéssemos durado, poderíamos estar bem juntos. Mas, não. Estou bem assim, muito melhor assim. Os 10 anos de distanciamento, mesmo que eu os tenha passado a maior parte sozinha, me fizeram um pouco melhor, me fizeram gostar um pouco mais de mim mesma. Tenho ainda um pouco dos meus 20 anos na aparência...
enviada por Heleníssima Figura



21/06/2007 23:59
Hoje eu to, como diz a Cris, só o pó da rabiola. Eu fecho os olhos e vejo normas da ABNT, margens superior, esquerda, direita, inferior da folha em formato A4, citações mal-colocadas, referências bibliográficas zuadas... Nunca achei que no início desse ano eu tinha falado sobre normas para trabalhos acadêmicos para quase 60 zumbis cegos, surdos e mudos. SESSENTA jovens, lindos, espertos, bem-nascidos, mas que não aproveitam nem 1% do que é oferecido gratuitamente a eles. Eu me escuto falando grego em certos momentos. Tenho o maior prazer em ajudá-los, mas quase ficar sem almoço porque eles querem curtir a tarde em casa, esparramados no sofá, num dá, né?
Esses dias a Gi Franchini foi me pedir um auxílio para normalizar o trabalho de conclusão de curso dela. Fiquei espantada, porque ela simplesmente arrumou as normas de trabalhos acadêmicos da faculdade dela e fez tudo certinho! Não me contive, parabenizei a moça e me disse orgulhosa por ela. Fiquei, naquele mesmo dia e nos dias que se seguiram, matutando à beça sobre as diferenças reais entre os estudantes de faculdades particulares e os de faculdades públicas. Para constar, a Gi é estudante de uma faculdade particular, que ela está cursando porque entrou no projeto Escola da Família. A rotina semanal dela é de 8 horas diárias, de segunda a sexta, de um estágio fodaço (mas que ela ama), mais aulas à noite, e nos finais de semana desenvolve projetos numa escola pública estadual num bairro distante da casa dela. UFA! Nada! Ainda tem o trabalho de conclusão de curso! Diferentemente da maioria dos mocinhos e mocinhas que estão na UFSCar hoje, ela tem que administrar muito bem o tempo e rebolar pra conseguir fazer tudo como manda o figurino do bom estudante. Eu me revolto, porque um estudante de escola particular tem bem poucas regalias perto de um que está na universidade pública. E ainda tem sempre alguém prá falar mal de quem faz faculdade particular, para desmerecer o ensino não-gratuito e enaltecer quem faz uma universidade pública. Na verdade, acho que quem faz a faculdade é a pessoa e não o contrário. É certo que na nossa cultura, quem se forma numa USP, numa Unicamp leva nas costas a fama da universidade. Mas quem disse que o melhor profissional é aquele que veio da faculdade pública? No resultado do ENADE desse ano, as melhores notas ficaram com as faculdades particulares. Vá lá que os "super politizados" estudantes das públicas se recusaram a fazer a prova, mas pra que isso? Não era a hora de provar que os fodões são as cabeças pensantes das universidades estaduais e federais? NÃÃÃÃÃOOOO. Por que? Talvez porque tenham tempo demais pra não fazer nada, nem sequer estudar? Talvez porque estão entupidos de dinheiro que os papais mandam todo mês e precisam investir essa grana em festas, noitadas, drogas? Pra que ligar pro estudo, se ele é de graça, é o melhor, os pais estão pouco se lixando para o desempenho dos filhos (o que eles querem é a festa de formatura e o diploma) e por causa do nome da universidade que frequentaram vão conseguir os melhores empregos?
Eu não creio que se possa medir a capacidade de alguém pela faculdade que ela frequentou e sim, pelo o quanto ela se esforçou para chegar lá, pelo tanto de esforço dispendido para realizar um sonho e pelo amor, dedicação e vocação à profissão que abraçou.
Bom, vou dormir.
enviada por Heleníssima Figura



06/06/2007 14:57
Meus pés pareciam botas congeladas e era difícil caminhar até ali, logo ali, no beco. Pessoas estavam ali, e eu pensei, em um momento, buscar calor para minhas células. Acontece que cheguei a bater o dedão do pé em algo, um poste de sinalização, e meu corpo inteiro trincou. Tinha gotículas caindo do nariz e ouvi pessoas dizerem no murmúrio "que jovem porco! Deveria limpar a napa, ao menos".
Sentei-me e sentia a friagem caindo do céu. Um latão fazia as vezes de fogueira. As rachaduras no meu corpo doíam agudamente. Pensei que nas casas quentes haveria sopa na mesa de jantar e que um cobertor quentinho não faria mal para corpos trincados. Mas eu só tinha os pés de botas congeladas e gotículas no nariz. E o frio, que de tão forte, provocava sensações de desrealização. Eu já não me sentia tão familiar ao mundo, ao beco. Mesmo com a chama do latão provocando um pouco de calor, eu ainda suplicava comigo por uma praia quente e deserta.
Algumas pessoas gemiam, outras pulavam para afastar o gelo da noite e tinha quem se aquecia ao falar, mesmo que falasse sozinho. Alguém bebia aguardente. Quis compartilhar desse "Licor dos deuses", a cura para toda a frieza que assola a humanidade. Fui agraciado com um gole da bebida. Um calor preencheu as rachaduras do meu corpo e parece que reavivei. Quis mais e mais daquele "Elixir do calor", mas não fui atendido. De súbito assomou-se uma fera em mim, que saiu estúpida avançando sobre o desafeto que me negou a bebida. Espanquei a desgraça humana, tirei-lhe sangue da boca e quando a horda dos miseráveis veio amontoando-se para meu lado, apanhei a garrafa de aguardente e corri como nunca havia feito antes.
Parei quando já não havia mais sentido em me proteger. Agora éramos eu e ela, a santa que me faria resistir a mais uma noite. Um gole, outro, outros mais. As botas esquentaram, enquanto as pernas bambearam. Mas qual o problema? De repente eu havia saído de um freezer direto para a quentura da praia deserta. A areia quentinha nos meus pés, o sol aquecendo e bronzeando minha pele. Deitei-me e passei a noite, assim, envolto no calor mais gostoso que já havia sentido em minha vida.
enviada por Heleníssima Figura



24/05/2007 23:19
Mirou o ventilador de teto. Pensou: "helicóptero". Ainda sentia o gosto dela. A casa nua, algumas roupas que ela deixou para trás, coisas sem importância. O mais importante ela deixou para trás: ele.
Ainda sentia nas pontas dos dedos a maciez do corpo que havia se dado sem pudores a ele. Tinha muito dela dentro daquele cubículo: nas paredes, nos lençóis, nas panelas, na cama, nas janelas. Havia ela dentro dele, quando ele estava dentro dela e isso impregnou tudo, até o mundo. O cheiro dela aparecia na livraria, na padaria os cabelos dela esvoaçavam por cima dos sonhos, no ônibus os olhos dela conduziam a paisagem tão cinza, até se tornar azul.
A voz dela ainda murmurava, dava voltas em seu ouvido. Estava zonzo quando olhou pelos vidros, o sol arrebatava o cenário. Para ele, tudo estava escuro, uma noite sem fim, tão fria, cortando sua alma, assim como o vento congelante corta o rosto e a dignidade do mendigo. Ain't no sunshine when she's gone.
Adormeceu, pensando "quero adormecer enquanto o mundo lá fora queima". Abriu os olhos. Ela estava radiante, pelada, diante dele. Tinha luz própria, os seios firmes, os quadris arredondados, a boca convidativa. Avançou por cima dele, boca com boca, línguas roçando, seios roçando, a maciez sentida, os cabelos dela, os olhos, o murmúrio, o hálito, o suor, a umidade, a rigidez, o movimento e o gozo. E a ordem dos acontecimentos se inverteu. Ele abriu os olhos. Estava escuro. O ventilador girava. Precisava levantar, buscar o sol, seu corpo pedia isso. Criou luz própria, irradiou e caiu no mundo atrás dela.



"Ain't no sunshine when she's gone
It's not warm when she's away
Ain't no sunshine when she's gone
And she's always gone too long
Anytime she goes away

Wonder this time where she's gone
Wonder if she's gonna stay
Ain't no sunshine when she's gone
And this house just ain't no home
Anytime she goes away

I know
Yeah, I outta leave the young thing alone
But ain't no sunshine when she's gone
Only darkness everyday
Ain't no sunshine when she's gone
And this house just ain't no home
Anytime she goes away

Ain't no sunshine when she's gone
It's not warm when she's away
Ain't no sunshine when she's gone
And she's always gone too long
Anytime she goes away (I know, I know, I know, I know,
I know)"
enviada por Heleníssima Figura



16/05/2007 18:14
Oi, Blog!
Às vezes acontecem tantas coisas para escrever, tantas coisas para esconder, outros acontecimentos para partilhar só com a família ou o cachorro (Piuí, a sua ausência de julgamento é o que mais me comove), mas quando eu penso em parar aqui, aquele flash que veio a cabeça volatilizou, sumiu no ar.
Fiquei feliz agora há pouco, pois percebi que a "Operação Cupido", empreeendida por mim e pela Gisa, está conseguindo progressos: conseguimos um primeiro passo, o primeiro beijo entre duas pessoas que fazem parte da nossa vidinha laboral. Sim: indiretamente conseguimos fazer com que uma graduanda e um pós-graduando se unissem temporariamente numa festa de "Libertação dos Bixos". O lado feminino da história (a graduanda) me contou o acontecido em detalhes. Simplesmente adorei ver a carinha apaixonada dela, me contando sobre como tudo transcorreu. Espero que a história continue, e assim, ainda iremos numa festa de casamento daqui uns anos...
Mas, estou mais feliz ainda, pois fui comunicada que vou ser uma das funcionárias homenageadas na formatura da XI Turma de Engenharia Agronômica da UFSCar. Não pensei que isso logo fosse ocorrer, nem nunca cogitei ser lembrada para receber homenagem, visto que estou há menos de 3 anos na universidade. Amei, do fundo do coração, e agradeço o pessoal pela lembrança. Eles tornaram a minha segunda-feira maravilhosa!
Sábado é meu aniversário, creio que vou numa quermesse, me entupir de frango a passarinho e jogar bingo. É lógico que alguém poderia torcer o nariz "Credo! Aniversário em quermesse?!", mas vou, se tudo der certo e Deus quiser, com algumas das pessoas mais legais da minha vida: minhas irmãs, a Gi Franchini e a Lainoka.
Porém, como sábado à noite tudo pode acontecer, tudo pode virar, é possível que eu faça outra coisa, ou então vá dormir cedo, nunca se sabe. O mais importante é descansar o motor, um 3.0 de alta performance, um dos melhores da categoria. (Com quase 30 anos e escrevendo bobagem!).

SALVE A LAIA!!!
enviada por Heleníssima Figura






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