O que me alimenta me destrói

















14/10/2009 15:27
O cachorro da vizinha chama-se Joaquim. Hoje eu cheguei em casa e vi o Joaquim, gorduchão, dormindo no seu pulgueirinho no chão da garagem de sua casa. Achei tão lindo aquela raça-à-toa dormitando, que lembrei que hoje faz um ano que o Piuí se foi. Meu cão está dormindo debaixo da terra quente, virou sopa orgânica e agora aduba o jardim de outrem.
Sábado deixamos mais um capítulo de nossa história para trás. Pegamos as trouxas, nossos móveis pobres e viemos parar há algumas quadras da antiga casa. Catorze anos viraram dois quarteirões e meio! É para rir, se às vezes eu não chorasse. Por que é que alguns de nós têm tanto apego à esse mundo, né? E por que justamente eu fui ser um desses apegados? Deus sabe? Você sabe?
Talvez o negócio seja genético, do tipo "se liga, você tem o DNA do apego!", mas de quem eu puxei isso? Minha mãe diz que não tem apego com casa, aquele que emprestou esperma pra eu nascer também não se apega com nada (nem com ele mesmo)... Será que veio do meu tatatatatatatatataravô, ancestral longínquo da Itália? Ele devia ser apegado com macarrão e com a terra nostra, a cosa nostra e qualquer bosta e me legou um sentimento eterno de saudade, que eu não sei se gosto, porque ao mesmo tempo em que me faz sofrer, me faz ver com lirismo as coisas loucas dessa vida.
E por falar em vida, semana passada uma moça que conhecia muito pouco se foi. Era mais jovem que eu, mais cheia de vida que eu, tinha mais gana de viver do que eu, era mais ativa que eu... e o coração jovem a enganou, parou de bater, a deixou mais sem vida do que eu. Tão estranho que o tempo dela tenha sido tão curto! Mal falei com ela nos anos em que estive perto, mas sempre tive uma impressão legal dela, sempre a achei descolada, vencedora. Acho que ela venceu muito cedo, talvez. E isso me deixa pensativa da condição humana, o quanto pelejamos, construímos, conquistamos e deixamos tudo para trás num instante. Levamos tempo para construir as coisas e um segundo para destruí-las. Ainda assim, a vida tem poesia.
Beijosmeliga.
enviada por Heleníssima Figura



05/09/2009 15:52
Vai chegando o momento de deixar tudo para trás, de novo. Outra casa, outro lugar (onde será, né?), outras histórias para construir. O novo assusta tanto, o que consola é saber que sempre nos adaptamos, encontramos novas soluções.
Duro vai ser olhar a casa vazia. Deixar a carcaça do nosso cachorro enterrada no jardim de terceiros. Quando enterramos um cachorro, parece que a casa se vende. Espero que as mágoas fiquem nessas paredes, que elas não nos sigam, que fiquem de herança pra quem ficar (a meu contragosto) nessa casa.
Que Deus nos dê bom lugar pra viver. E aquele que tenta passar a perna na gente, que tenha sua colheita. Eu acredito em Ação-Reação. Acredito que tudo o que a gente faz, de bom ou ruim, volta pra gente mesmo.
enviada por Heleníssima Figura



07/03/2009 15:08
O abandono é cruel. Eu fiz esse blog pra extravasar, numa época em que as coisas pareciam querer andar demais para trás. Sempre tem um momento no ano que tudo parece querer andar pra trás, mas existem anos que tudo insiste em andar para trás. Ano passado foi quase assim: entre perdas e quase-perdas, tive tempo para ganhos, para decepções, descobertas. Mal vim para meu canto de expurgo, talvez porque estivesse vivendo mais meu "retrocesso" e ruminando menos.
Foi meu primeiro ano todinho como chefe de família. Nem sei se segurei o rojão com dignidade, mas acho que as contas estão pagas. Quase perdi minha irmã mais velha, perdi meu cachorro, perdi a confiança em amigos, perdi uma paixão que já achava ganha. Acompanhei as perdas dos outros também. Ganhei uma colega de trabalho que tem me dado trabalho em certos aspectos. Ganhei hálitos diferentes... Quase, por muito pouco não tive uma sessão "revival" com o Manu. Alguém se declarou pra mim nesse último ano e eu nem me importei com a pessoa. Cruel demais.
Minha amiga Gica virou Giornalista, finalmente, fato coroado com a melhor formatura dos últimos tempos. Também me diverti muito na formatura da minha amiga Ka e da Galega.
Reforcei minha amizade com a Afra e com o Angelo, voltei a ter contato com o Leo pelo msn.
Fui pela primeiríssima vez em um congresso para bibliotecários e, ao contrário do que imaginei, foi muito bom. Aprendi a apreciar ainda mais a companhia da Marina, a enxergar uma outra Camila por trás da mocinha sempre séria, a conhecer a verdadeira Vera, a dormir uma semana no mesmo quarto de hotel com a Érika.
Foi meu primeiro Natal, depois de anos, passado com as primas e primos, com direito a amigo secreto depois da meia-noite. Foi o primeiro ano-novo na Loja Maçônica, eu ligando pra namorado depois da meia-noite.
Eu nem sei o porquê dessa retrospectiva atrasada. Acho que to com saudade do que foi. Fico meio assim quando acho que algo na minha vida tá chegando ao fim. Tive tantos fins no último ano... Acho que isso significa que a roda gira, independente de qualquer coisa.

enviada por Heleníssima Figura



23/10/2008 20:11
Ele foi um cão feliz. É o que me vem à cabeça quando penso no Piuí.
O "Bezerrão", como a Cris o chamava, veio pra gente com um mês de vida. Era um fevereiro escaldante de 1993 (se minha memória não falha), eu tinha 15 anos e o 2º colegial pela frente. A Neguita e o Peposo haviam tido um affair e pouco tempo depois uma ninhada de vira-latinhas sem-vergonha apareceu. Entre os peludinhos tava o Pi, o filhote mais bonito de todos.
Inicialmente, o Piuí era pra ter ido morar com a Cristiane, uma amiga nossa na época, porém, o irmão dela, o Bartô, não aceitou o pequeno quadrúpede na casa deles. Na sequência, arduamente, conseguimos convencer o Sr. Noé de que o Pi seria uma ótima companhia para o Branco, nosso vira-latão sênior. Quem não ficou muito feliz com isso tudo foi o próprio Branco, uma vez que ele estava perdendo o posto de xodó-mor da casa. No fim, tudo deu certo: o Branco aceitou o Piuí e eles viveram mais alguns anos como fiéis companheiros (não gays, só amigos!).
O fato é que o Piuí sempre foi encrequeiro, destruidor, voluntarioso e divertido. Uma vez, quando ele ainda nem tinha o saco escrotal desenvolvido, trepou em minha pobre canela adolescente e começou a ter "demonstrações violentas de amor" contra ela. Eu e a minha mãe choramos de rir quando eu fui retirar o bichinho de cima da minha perna: a bolinha de pêlos e gordura rosnou pela primeira vez na vida ao se ver privado de ir adiante com seus intentos "amorosos" com a minha canela.
Com o tempo ele foi crescendo, virou um cadelinho espichado, magrelo, comedor de meias, vassouras e o que mais sobrasse na reta dele. Nunca atendia quando era chamado. Mas bastava dizer "tó", que ele vinha a galope para ver se havia comida esperando-o. Barulho de embalagem sendo aberta também o atraía fortemente. Aliás, comida sempre foi sua grande paixão na vida: pulava monstruosamente em qualquer membro da família que aparecesse com um prato em punho; roubava coxinhas, pêras e o que mais pudesse das mãos mais distraídas. Era um verdadeiro glutão mal-educado!
E essa falta de educação era não só incentivada, como também idolatrada em casa. Tudo o que o Pi fizesse de safadeza era motivo pra boas gargalhadas, pra milhões de afagos e recompensas. Ele era nosso irmãozinho mais novo e mimado!
Quando ficou mais velho, começou a ter uns ataques de mau-humor de vez em quando. Era seu charme. Virava a cara por alguns minutos, depois vinha todo lindo procurar carinho, como se nada tivesse acontecido.
Até uns dias antes do seu passamento eu ficava pensando "o Piuí é que nem gato, tem 7 vidas!". O bichão teve uma parvovirose, dois acessos de doença do carrapato, vários pequenos piripaques, uma hérnia, vários tumores pelo corpo e um derrame cerebral no currículo. Sempre teimoso, passou por tudo e se recuperou bem. Tinha tesão em viver. Só que em cachorros velhos, um derrame nunca vem sozinho; depois do primeiro, outros acontecem. E aconteceu com o Piuí. O primeiro veio, o debilitou, o deixou bobo, sem coordenação. O maluco se esforçou, se recuperou, estava se fortalecendo quando, 20 dias depois, começaram as convulsões. Foram várias, algumas durando uns 5 minutos. Depois vinha o cansaço e as sequelas. O teimoso tentava lutar, mas a doença o havia debilitado demais. Tomava Gardenal e outros trocentos remédios. Tudo em vão. O coitado mal conseguia se mexer, acho que já não enxergava mais, não sabia mais o que era, não comia, não bebia. Foi se entregando, até que na madrugada do último dia 14 acordou desesperado, sem conseguir respirar. Achamos que fosse ressecamento do nariz, já que ele não conseguia nem espirrar mais. Lavamos o nariz dele com soro, ele chorou sentido, depois caiu largado, exausto na caminha que minha mãe havia arrumado pra ele. Antes de voltar pra cama, decidi com a Dani que naquela terça levaríamos o Pi a veterinário para uma avaliação e, se não houvesse mais jeito, aceitaríamos que ele fosse sacrificado. Fui trabalhar angustiada, triste, tive dor de barriga ao ver se aproximar as 5 horas da tarde.
Quando cheguei em casa, o carro não estava na garagem. Não quis entrar em desespero, pensei outras coisas, mas quando vi a porta da cozinha trancada, mal achava a chave para abrí-la. Ao conseguir entrar, vi todas as coisinhas dele pela casa, o colchãozinho na sala, vazio. Comecei a chorar, "ele piorou", pensei. Logo o portão se abriu, corri pra garagem, a Dani e a mãe lavadas em lágrimas. Choramos todas juntas. Meu amigo não conseguia mais respirar naquela tarde. Minha mãe agoniada decidiu que ele deveria ser sacrificado, e assim foi feito. À noite o vizinho da minha tia abriu a cova no jardim da frente da casa - o lugar onde o Pi adorava fazer xixi!. Peguei o Piuí, embrulhado num saco plástico, pela última vez no colo e o depositei na sua sepultura. Chorei e saí do jardim com os pés lotados de terra.
O Pi marcou demais nossa vida. Foram quase 16 anos com a gente. Queria que fossem 26, 36, até quando eu vivesse. No sábado antes de morrer, ofereci a ele 10 anos da minha vida, mas que ele os vivesse bem e sadio. Minha oferta foi recusada.
O que fica pra gente é a lição de amor que esses serezinhos deixam. Amor incondicional, que não se mede, não se pede. E sabem porque os cães vivem pouco? Porque, ao contrário dos seres humanos que nascem para aprender a amar, os cachorros já vêm ao mundo sabendo exatamente como é isso!
Amor eterno ao Piuí!


enviada por Heleníssima Figura



26/09/2008 22:52

Ai, Jesuis!

Eu adorei sua barba horrorosa desde a primeira vez em que a vi. Você é bem feio e é bem verdade. Tem essa cara de meninão tonto, metido a beberrão e esperto. Não passa mesmo é de um meninão tonto, metido a beberrão e esperto. Não sei se foi sua inteligência mal administrada, seu humor seco e por vezes lacônico que me fez viajar na possibilidade de viajar até onde você se esconde. Você nunca se esconde; sempre se mostra, sempre "causando". Eu é que não te acho, ou que não tenho coragem de te procurar. Nem! Te procuro, sim, só num quero te encontrar, porque sei que você tem umas coisas iguais a mim, e dói encontrar pessoas iguais a mim. Claro que somos diferentes pela barba, pela cara de tonto, por querer ser o metido a beberrão e esperto. Somos cabeçudos iguais, orgulhosos iguais, fingimos que não nos importamos, nos ignoramos e nos mordemos de ódio porque um sempre nunca procura o outro.
Eu espero o espectro seu em cada lugar, em cada momento, eu atropelo com você da minha vida, pois de qualquer forma você nunca aparece. Mas... o problema sou eu que fecho a janela, coloco um pedaço de madeira pra lacrar o único meio que teríamos pra falar. Faço isso porque espero você na porta, no celular, naquele mesmo bar em que nunca nos encontraremos. Somos só uma janela um na vida do outro, beibi!
Odeio você, sua barba, sua cara de meninão tonto metido a beberrão e esperto, mas rodaria 150km só pra poder te beijar...
"Fica assim, então? Seja feliz daí, que eu serei feliz daqui".
enviada por Heleníssima Figura



18/05/2008 18:27
Oh, bloguinho abandonado! Mammy voltou! Voltou sem inspiração alguma, sem desejo algum de escrever coisas novas. Deve ser essa fase colossal que se apoderou de mim há meses. Fazer o que, se um dia Deus te olha e diz "é hora de crescer, minha filha"? Eu to obedecendo Pai Celestial...
Num é fácil encontrar o fio da meada! Pegar o bonde andando e descarrilhando, tomar a direção e entrar nos eixos. Ainda fico zonza de pensar. Aliás, meu maior problema é pensar demais; se tá tudo ruim, penso demais, se tá tudo bem, penso demais. O bom é que ando agindo. Não demais, porque num é do meu feitio taurino e lento. Mas, to agindo, de leve, aos poucos, não a contento, devagar e quase sempre.
Amanhã entro em anos - eu disse ANOS! - novamente. Agora tem o número 1 fazendo companhia ao 3. Por pelo menos 365 dias, 3 e 1 andarão juntos na minha vida. E acho que amanhã vai ser dia chuvoso. Que eu me lembre, só tive um aniversário chuvoso e foi em 1992. Naquele dia dei pulos de alegria, porque não ia ter aula de educação física, pois a quadra da escola não era coberta. 1992 foi o melhor ano da minha vida, disparado. Pena que tenha ficado lá atrás... Mas, parece querer retornar à vezes, como na semana passada, quando fui fazer a ginástica laboral e coloquei uma camiseta de manga comprida que eu havia ganho de aniversário naquele ano. Ainda me gabei pra Gi e pra Soninha que aquela camiseta iria fazer 16 anos no dia 19 de maio, junto comigo. Boas lembranças!
É, no fim, tudo é lembrança não muito nítida, porque o tempo é ligeiro e a memória bem traiçoeira.
Pela 31ª vez: Feliz aniversário para mim!!!!
enviada por Heleníssima Figura



07/04/2008 23:39
In your heart I'll hide away...
Eu acho que pifei o chuveiro do quarto do hospital.

Lost inside
Eu sinto cansaço, tristeza, sentimento de quase perda, sentimento de que tudo ainda não está totalmente bem.

Everybody hurts...
São nos momentos ruins que a gente reconhece os amigos. Os de verdade.

Muitos temores nascem do cansaço...
E tenho tanto medo, que me sinto pequena demais, ínfima, desamparada. Minha fé vai pelo ralo, e quero acreditar piamente.


Spread your arms round my world...
Tem momentos que se percebe que se ama uma pessoa a ponto de imaginar que o que ela está passando deveria estar acontecendo conosco.

Só penso nela, quem é ela? O nome dela?
Dani, ainda bem que você está com a gente. Não me assusta mais, tá bom? Se for pra me fazer chorar, que seja de alegria, pra me fazer esquecer as coisas ruins que te aconteceram nesses últimos dias.
Eu te amo (já chorando, de novo).
enviada por Heleníssima Figura



29/12/2007 14:10
Pois é, Pensando... Família não se escolhe. Se eu tivesse que escolher, possivelmente teria escolhido só a minha mãe. Não que eu não goste dos outros membros da família, mas é que ela é a única que não me desaponta, é a única com quem posso conversar direito, ser ouvida e me fazer entender. Se eu sou emocionalmente dependente dela? Total, sei que isso pode me trazer sofrimento, mas quero aproveitar ao máximo, enquanto durar.
Nesse ano tive minha vida exposta num blog, fui transformada em inimiga por brigas banais. Inimiga da própria irmã? Por causa de uma senha no computador? Porque eu disse "chega" pras ofensas na hora das discussões? Tenho 30 anos, não 15 pra ficar aceitando botinada de cabeça baixa. E nisso tudo, eu, minha mãe e minha irmã mais velha viramos cachorros tentando retalhar A Cinderela Diferente. O pior foi ter que aguentar ameaça virtual de uma professorinha qualquer de Porto Ferreira e os palpites muy "sensatos" de uma problemática que mora lá no fim do mundo e que mal consegue dar jeito na própria cachola.
Desculpas? Diálogo? Não sou eu que tenho que estender a bandeira branca. Eu sempre estive aqui, eu sei que tenho capacidade prá conversar direito, mas quanto mais a gente abaixa, mais mostra a bunda. Já foi o tempo da abnegação. Não falo mais com meu pai como se eu falasse com algum superior. Pais não são nossos superiores, supervisores, déspotas das nossas vidas: são nossos condutores, nossa segurança, o alicerce da nossa auto-estima. Se meu pai não entende isso, não sou eu que vou gastar neurônio para fazê-lo enxergar. Cada um que ande com suas próprias pernas, que enxergue com seus próprios olhos, do jeito que lhe convier. Não é assim que me foi ensinado?
Por obra de caprichos, birras, infantilidades, pirraças, a família partiu. O Diferente fez a diferença. Pessoas que estavam de fora e que, sem nenhuma intenção, acabaram por entrar na tormenta, acabaram ofendidas, entristecidas, humilhadas em momentos de fragilidade. Por caprichos de quem fez a diferença.
Esse é um desabafo tardio. Não tentei arrebanhar simpatizantes a minha causa para mostrar força e razão. Somente quem está num contexto entende o que se passa nele. Só eu sei o que foram esses meus 30 anos, só eu sei a dor de descobrir outras pessoas nas pessoas que eu amo.
Vou viver vida diferente, próximo ano. Novas responsabilidades, novas atribuições, liberdades desconhecidas. Vou deixar esse desabafo nos arquivos do blog, passando, como todos os outros posts. Eu sou membro de uma nova família.
Que venha 2008, cheio de percalços, incertezas, coisas boas, descobertas!
Obrigada por mais um ano de amizade, Cleto! Um ótimo 2008 para você e para a família que você cultiva com tanta dedicação.
enviada por Heleníssima Figura



22/10/2007 23:23

Obsessões do início da semana...

Musical: Ride on Time - Black Box
Literária: Por um fio - Dráuzio Careca - Ops! - Varella
Consumo: Câmera digital de 8 Megapixels
"Admiração" virtual: Um certo rapaz que vi numa comunidade do orkut, que dizem, tem um olho verde e outro azul. Detalhe: já tem dona...
"Admiração" real: Esse espaço não comporta tanta admiração!! rsrs.
Comida: Empadinhas
Bebida: Frutess (iogurte + suco de uva)
Ação: Caminhar, caminhar e caminhar (vou ver se tenho coragem de fazer isso essa semana toda)
Meio de transporte: BMW (modesta!)
Mandar para a PQP: Um certo professor oriundo dos pampas; uma assombração que volta e meia dá as caras na biblioteca; um hobbit-gay; as "princesas" de plantão.
Obsessão Master: AUMENTO de salário! huahauhauahua... (essa deveria ser "Ilusão Master")
enviada por Heleníssima Figura



16/10/2007 21:06
Ai... num era assim que eu queria começar. Mas já foi, vai (como seu eu não tivesse a possibilidade de apagar tudo isso agora mesmo!). Tô constipada, fui pega pelo nariz, garganta, pescoço. Falta a menstruação, porque a TPM já tá instalada. Eu ando assim, sei lá, meio cabisbaixa, apesar de não aparentar. Eu não sei se os trinta anos fazem a gente sofrer algum tipo de mutação neuronial, emocional, nacional ou sensacional. Tem muita coisa que mudou na minha visão, tem muito jeito meu que sumiu e outro que apareceu. Tinha uma tristeza perene que fugiu de vez. Umas ânsias atenuadas, outras exacerbadas. Tem a certeza de que eu tenho uma vida depois dos 24 anos, porque eu não enxergava esse meu pedaço de existência depois dessa idade. E tem a aceitação de que tudo murcha, tudo passa, tudo morre. Que meu cachorro segue o curso inexorável da vida e que, cedo ou tarde, o "moleque" peludo mais lindo do mundo, já quase cego, quase surdo, totalmente coxo, vai dobrar o Cabo da Boa Esperança para chegar ao cerimonial de São Pedro e São Francisco. Que meus pais estão diminuindo de tamanho de tanto carregar o peso da vida nas costas. Que as minhas costas já não se adaptam mais ao contorno do sofá.
Ah... Tudo bem! Vou descambar nesse final de post. A Gi tá me chamando no msn, preciso de alegria!
(Quando eu menstruar, esse momento filosófico passa).

Ai... num era assim que eu queria terminar!
enviada por Heleníssima Figura



19/09/2007 23:33
Algumas frases colhidas dos meus amigos, com relação à minha pessoa...

“Minha mãe nasceu analfabeta, mas a Nê nasceu sabendo ler e escrever em 23 línguas. Ela é o futuro do país!”
(Luís Inácio Lula da Silva)

“Que catiguria!”
(Bebel)

“And the Oscar goes to... Nê!”
(Forest Whitaker)

"A Mary-chan ^^ (Nê) é fodástica!"
(Vanessa-chan^^)

"Com a Nê é só relaxar e gozar"
(Marta Suplicy)

"A Nê é um avião"
(Presidente da Anac)

“A Nê é fantástica!”
(Gi Frankini)

"Baranga Sarcástica"
(Vavá Caxeta)

“Nê? Si! Muy fuerte! Buena em las curvas...”
(Fernando Alonso)

"Nechten? YA!! Frouline!!"
(Schumacher)

“Que boca maravilhosa a Nê tem! Quase perco o Brad para ela...”
(Angelina Jolie)

"Nê? Oh, yes! With her I felt like a virgin again!!!"
(Madonna)

Nê?? Eu que fiz!!
(Maluf - Epa! Minha vai mãe ter que se explicar agora...)

“A Nê, ao contrário das outras, é a única mulher que trabalha em pé e descansa deitada!”
(Clodovil Hernandez)

"Ah, Maria!"
(Gisa Zutin)
enviada por Heleníssima Figura



25/08/2007 23:29



Os cabelos cor de piche espalhavam-se pelo balcão. Ela continuava inerte, um dos ouvidos colado ao balcão, o outro captando a música que tocava ao fundo. Cartola dizia "as rosas não falam" com uma tristeza de dar dó, ou nojo, conforme o humor dela. A melodia era chorosa, derramada, dando a exata impressão de como o Poeta se sentia na esperança desesperançada. Ela fechou os olhos e a cabeça girou deflagrando pensamentos tristes. Duas lágrimas saltaram-lhe dos olhos para o balcão, ela as lambeu e sentiu o sal do seu corpo. O nariz inundou-se no muco e mais outras lágrimas vieram a somar-se à umidade manifesta naquele rosto.
Não, ela não sentia amor. Ela não sentia a esperança desesperançada de Cartola. Ela sentia a tristeza da música, um vácuo, uma certeza de que nada seria como antes, mesmo que todos os povos resolvessem colar caquinhos e aparar arestas. No íntimo ela sabia das mudanças, certamente se acostumaria à elas, mas nunca iria se conformar.
Existem pessoas que constróem um mundinho particular, calcado em falsas ternuras e provocam cataclismas quando as coisas não querem mais correr conforme suas vontades. Formam-se tempestades sem um porquê no horizonte, e o vento desarmônico provoca um arrancar de árvores e desmantelamento de sentimentos. Ela ficava no meio da tormenta, angustiada, desesperada sem ter onde se agarrar. Se sentia muitas vezes como uma criança perdida, sem a mãe, sem comida, sem um tostão no bolso, olhando aquele céu negro. Foi assim que ela parou naquele balcão. Agarrou-se nele com tábua de salvação. Parou e debruçou-se, para tentar ouvir a voz que vinha de dentro. Os ouvidos captaram, um, o som da tristeza e o outro, a voz da alma, querendo se derramar como num alento para o corpo. As lágrimas continham o alívio da mente e um aviso: não demoraria para o sol voltar.
enviada por Heleníssima Figura



21/08/2007 22:55
Gabriel Garcia Marquez diz que os sintomas dos males de amor são muito semelhantes aos do cólera. Essa é uma frase do livro "O amor nos tempos do cólera", que estou tendo o prazer de ler. Ele se refere a Florindo Ariza, plus apaixonado por sua Fermina Dazza. Alguém me disse essa semana que estava com virose. Liguei o fato rapidinho ao enredo do livro, uma vez que Florindo vomitava e evacuava até não poder mais, até ficar verde. Insinuei que a pessoa sofria era por amor...
Lembrei das vezes em que me apaixonei. Meu intestino sempre soltava, as fezes ficavam massudas. Não eram caganeiras homéricas, mas eu pintava bem o vaso. Eu ficava boba de paixão, o que me provocava dores de barriga consideráveis que me levavam inevitavelmente ao toillete. Era legal porque eu acabava emagrecendo, não comia tanto. As fezes ficavam inchadas, e eu secava. Mas, era só paixão, não amor. Eram só pequenos desarranjos, nada de viroses, nem cólera.
Isso me faz lembrar que tenho menos de um mês para perder 4 quilos antes de me apresentar perante o Sr. Dr. Gastroenterologista. Acho que uma paixãozinha agora cairia bem, assim me livraria de um regime forçado ou de um programa de caminhadas no final da tarde. Mas tá tão difícil de eu me apaixonar! Até tento, mas no fim... tudo fica no fim, mesmo.

Prá fechar, lá vai um segredo: Gabo (Gabriel Garcia Marquez) nem desconfia, mas se eu o encontrasse, iria beijá-lo na boca! Em 2003 ele me fez dormir, após muitas noites em claro, e nem desconfia disso!! Sou muito grata a esse colombiano de quase 80 anos!! rsrsrsrs.
enviada por Heleníssima Figura



12/08/2007 23:45

Para Frankini, minha Amiga

A moça tem mil sorrisos na boca. Cada vez que sua fileira de dentes aparece é como o sol expandindo no horizonte. São mil dentes, mil sorrisos, mil sóis em galáxias perdidas nos recônditos do universo. Seus olhos são luas verdes, não azuis, porque não só existem luas azuis. Existem plenilúnios verdes, expansivos, que iluminam os cantos enegrecidos e tristes por onde ela passa. Seus olhos e dentes nunca eclipsaram. Há uma harmonia constante entre sol e lua nela.
Os cabelos ela tornou escuros para que as estrelas de seus pensamentos pipoquem. Pontos de luz iguais aos do céu, admiráveis a ponto de apequenar e de tornar tão distante toda a raça humana.
Há nela luz própria, como se um gerador a habitasse desde o dia em que ela nasceu. Ela caminha pelos corredores como estrela errante e os outros a orbitam, planetas e satélites fora de prumo, necessitando de luz extra-corpórea para sobreviver.
Ela é um sol, uma luz inabalável contagiando o ambiente, afugentando as trevas por vezes insistentes.
Estrela, que seu brilho perpetue. Sempre.

(Obrigada pelas sandices, pelos papos birutas, pelas piores teorias, pelas montagens fotográficas, pela bengala da sua avó - coitadinha! - pelo meu livro e, principalmente, por sempre me fazer rir na hora em que eu penso em chorar!)
enviada por Heleníssima Figura



03/08/2007 00:27

A verdadeira "Cinderela"

Levava uma vida sossegada
Gostava de sombra e água fresca
Meus Deus, quanto tempo
Eu passei sem saber?
Foi quando meu pai(?) me disse:
Filha,
Você é a ovelha negra da família
Agora é hora de você assumir
E sumir!
Baby, baby, não adianta chamar
Quando alguém está perdido
Procurando se encontrar
Baby, baby
Não vale a pena esperar
Tire isso da cabeça
E ponha o resto no lugar
(Ovelha negra - Rita Lee)

"O inferno são os outros" Jean-Paul Sartre
enviada por Heleníssima Figura






Feed: Seja avisado quando este blog for atualizado :: (O que é isso?)